Quinta do Arneiro

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Arneiro
Sobre nós


Quem somos
A Quinta do Arneiro fica na região Oeste, concelho de Mafra, freguesia da Azueira, uma região de agricultura por excelência, onde tanto os produtos hortícolas como os pomares de pêra Rocha são das culturas com maior expressão.

A Quinta está na família desde 1967. Depois de na época ter revolucionado a agricultura da região com a plantação de 30 ha de pomares de pêra Rocha, entrou em 2007 numa nova fase, iniciando a certificação do primeiro hectare de hortícolas em modo de produção biológico.

Em 2011, construímos um total de 2500 m2 de estufas, iniciámos a conversão do primeiro pomar de pêra Rocha, remodelámos um armazém para embalamento dos nossos produtos e licenciámos a cozinha para transformar os excedentes da nossa horta. Criámos 7 postos de trabalho, recebemos 160 novos clientes.

Em 2013, aumentámos a área de estufas para o dobro e continuámos a crescer. Criámos mais 6 postos de trabalho.

Já desafiámos muitas famílias a alterar os hábitos alimentares e jovens a olhar para a agricultura biológica como um desafio para o futuro.  

Hoje levamos os nossos cabazes semanalmente a casa de muitos clientes, fornecemos lojas biológicas e convencionais, escolas e restaurantes. Organizamos visitas de estudo e visitas guiadas para grupos. Estamos abertos de 3ª a 5ª feira para quem nos queira vir visitar. Temos dois dias por ano em que abrimos as portas e fazemos uma festa.

É um projeto familiar que não era possível sem a ajuda de todos os que aqui trabalham. Temos orgulho do que está feito. E temos ainda muito por fazer. Trabalhamos para que chegue o dia em que possamos dizer: missão cumprida.

História

Depois de 30 anos no Brasil e a pensar em regressar definitivamente a Portugal, o meu pai resolveu comprar uma Quinta. Estávamos na década de 60 e eu devia ter 5 ou 6 anos. Lembro-me das primeiras visitas à Quinta. Apesar de estar a 500m de uma estrada nacional, o caminho mais curto para aqui chegar obrigava a atravessar um rio e era, literalmente, atravessar! Descer e voltar a subir. Claro que quando chovia tínhamos que “ir à volta”. Por vezes, para encurtar o tempo, travessias mal calculadas tinham como consequência atolamentos que obrigavam a vir um trator puxar o carro outra vez para a estrada.

No entanto, havia rio, havia água que corria transparente, onde se lavava a roupa e onde era possível ver peixes…

Como qualquer história de Quinta que se preze, também nesta chovia dentro de casa e os ratos abundavam. Naqueles anos as quintas eram um local onde se ia de férias. E esta não era exceção. Havia umas enormes adegas, um monte de casario e uma terra “mal-amanhada”.

Depois de comprada pelo meu pai, as coisas foram mudando. A casa teve obras, as adegas transformaram-se em armazéns e as vinhas velhas e as terras sem uso, em pomares de pêra Rocha.

A pêra passou a ser a rainha desta Quinta

Estávamos nos anos 70, numa época em que alastrava a ideia (que se converteu em projeto global) de que a agricultura deve ser vista como uma indústria. E o campo uma fábrica.

E aí construiu-se a ponte para passarem os carros, o que foi uma excelente ideia, não fosse terem-se esquecido de que era água o que passava por baixo.

A Quinta do Arneiro transformou-se numa Quinta modelo. Não havia muitas Quintas com 30 ha de pomares de pêra, primorosamente bem cuidados. Os inícios de tudo são sempre tempos de experiências e de experimentação. As monoculturas obrigam a uma muito maior atenção e foco na produtividade, nada pode falhar porque não há escapatória. Os anos 80 e 90 foram anos de excelentes proveitos.

E eis que estamos na viragem de um século e muitas vezes não percebemos, mas andamos todos como a pescadinha de rabo na boca.

Tenho a certeza hoje que se o meu pai soubesse o que ia acontecer ao rio (não que a Quinta tivesse tido alguma culpa direta na poluição do mesmo), o que ia acontecer à saúde da natureza, o que ia acontecer a esta agricultura intensiva, o desperdício que iria gerar,  teria sido ele a iniciar este projeto. Morreu antes.

Início de um novo ciclo

Entretanto a Quinta tinha deixado já há muito tempo, desde 1987, de ser para mim um local onde passar férias para ser a casa da família. Todos os meus filhos nasceram e cresceram aqui.

Em 2007, depois de uma daquelas voltas que a vida dá, deixei uma livraria que tinha há 14 anos para me vir dedicar a 100% à agricultura. Os meus dois primeiros anos aqui foram como estar no paraíso e não estou a exagerar! Tive o privilégio de poder estar dois anos sem pensar muito, passei dias a trabalhar no campo e posso garantir, mas garantir mesmo, que trabalhar no campo trouxe-me paz, alegria e energias indescritíveis. Lembro-me com saudade desses momentos e eu não sou de ter saudades.

A quinta

Mas quem me conhece sabe que me é impossível deixar de sonhar, de projetar e idealizar e, felizmente, normalmente acabo por concretizar os meus sonhos. Já há muito tempo que pensava que se fosse eu a gerir a Quinta, as coisas teriam que mudar.

Primeiro era essencial ir convertendo a Quinta aos poucos e poucos, transformando-a numa Quinta em modo de produção biológico. O respeito pela natureza quando dependemos em exclusivo da sua generosidade é um dado óbvio. É impossível termos alguém como parceiro por muito tempo, se não o tratarmos com respeito. E que parceria pode ser mais intensa do que a do agricultor com a natureza?

Segundo, era ponto assente que tínhamos que chegar aos consumidores dos nossos produtos sem intermediários. O agricultor sempre fora o elo mais fraco porque a distância entre quem consome e quem produz era cada vez maior. De onde vem esta alface, como foi produzida, como é que chegou a mim? São perguntas que ninguém faz. O nosso principal objetivo: que os nossos clientes passem a saber de onde veio aquela alface e se possível quanto tempo demorou a crescer, qual a época da maçã, das couves ou do tomate.

Há quem diga que a vida começa no fim da nossa zona de conforto, então, eu tenho a certeza de que a minha começou no dia em que iniciei este projeto.

E, quem diria, já lá vão uns anos, com o início de contagem de conversão do primeiro hectare. Dois anos depois, em 2009, iniciámos a produção e, felizmente, temos vindo a crescer de uma forma sustentada. Têm sido anos muito intensos, de muito trabalho. Fizemos tanto em tão pouco tempo que o pouco tempo parece tanto. Em Agosto de 2011 inaugurámos o armazém de embalamento, em Outubro iniciámos a produção na nossa primeira estufa de 1000 m2, em Janeiro de 2012 tínhamos mais uma estufa de 1500 m2. E que bom que é perceber que algum tempo depois  a área das estufas já se tornava pequena. Em Dezembro de 2013 iniciámos a construção de mais uma estufa que veio duplicar o espaço. Passámos a ter 5000 m2 de área coberta. E ainda não parámos.  É muito motivante constatarmos hoje, alguns anos passados, que todos os nossos clientes da primeira hora ainda estão connosco.

Não podemos nem queremos deixar acabar esta história sem agradecer a todos os que fazem parte dela: os nossos clientes, os nossos fornecedores e os nossos colaboradores. É por ter tantos personagens que esta é uma história tão rica de que não se vislumbra final.

Voltemos ao rio de que falei no início. Basta passar em cima da ponte que agora lá está para percebermos tudo. O que a nossa evolução esqueceu, do que nunca mais nos lembrámos foi de parar para pensar. As consequências do desrespeito pela natureza são absurdamente visíveis.

E esta será uma história ainda mais feliz quando pudermos dar a notícia de que aquele rio é outra vez um rio. E se esse for o nosso sonho, nada nos vai impedir de que tal aconteça.


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